04/12/2015 às 09h41min - Atualizada em 04/12/2015 às 09h41min

PMDB de SC espera ter uma vaga na comissão especial de impeachment na Câmara dos Deputados

A bancada do PMDB de Santa Catarina na Câmara dos Deputados espera que ao menos um peemedebista do Estado seja escolhido para ocupar uma das oito vagas pertencentes ao partido dentro da comissão especial de impeachment da presidente Dilma Rousseff, instalada ontem na Casa. Entretanto, o deputado federal e presidente da sigla em SC, Mauro Mariani, minimizou as possibilidades da indicação acontecer.

Ele afirma que procurou pessoalmente o líder do PMDB na Câmara, o deputado Leonardo Picciani (RJ), que será responsável por indicar os oito nomes da sigla na comissão. Mariani acredita que o colega peemedebista, mais próximo do governo federal, não irá apostar num membro de SC, pois seu foco é montar uma ¿tropa de choque¿ para blindar Dilma, excluindo a ala oposicionista do partido. Com efeito, Mariani automaticamente se declara a favor do impeachment, embora não tenha oficializado essa posição. Mas em entrevista ao colunista Moacir Pereira em outubro deste ano, ele afirmou que votaria a favor da derrubada de Dilma.

  Mariani garante que o PMDB catarinense, composto por seis deputados, votará em bloco, apesar do posicionamento não estar decidido. Valdir Colatto e Celso Maldaner, por exemplo, afirmaram que vão aguardar pelos próximos passos da comissão para definirem qual posição irão assumir. O que cabe agora aos deputados pemedebistas de SC é chegarem a um acordo dentro de um partido rachado entre apoiar ou não a presidente da República (e também em cassar ou não Eduardo Cunha).

 

Neste quadro de incerteza, a postura prévia dos parlamentares sinaliza possíveis caminhos e divergências. Colatto, por exemplo, é com frequência um crítico do governo federal, sendo um dos proponentes da CPI da Funai e do Incra. A mesma postura se encontra em Edinho Bez, que em seus discursos na Câmara tem apontado para a queda de credibilidade do governo federal.

 

Há, por outro lado, catarinenses mais próximos ao PT que, seguindo a lógica sustentada por Mariani, poderiam compor a comissão especial. Ronaldo Benedet e Celso Maldaner foram elogiados por Dilma durante a inauguração da Ponte de Laguna, num evento que contou com a presença dos deputados federais petistas Décio lima e Pedro Uczai. Maldaner, inclusive, já usou a tribuna da Câmara para elogiar o Plano Safra de Agricultura Familiar, pelo qual o governo federal pretende liberar quase R$ 29 bilhões para os pequenos agricultores. Ele também diz ter uma posição definida para cassação de Cunha, mas não de Dilma. 

 

Como se posicionam os parlamentares de SC

A favor

Camem Zanotto (PPS): "Minha tendência é a favor. Os indícios do Tribunal de Contas são pelo impeachment, mas uma comissão ainda vai avaliar"

Geovânia de Sá (PSDB) "Ouvindo as acusações e a voz das ruas, com certeza a oposição votará pelo andamento do processo de impeachment e que ela deixe de governar. A incompetência dela não permite que ela continue governando"

Marco Tebaldi (PSDB) "110% a favor do impeachment. A economia derreteu, o desemprego subiu, a inflação subiu, a indústria quebrou. A situação política está virada em corrupção, ela virou institucional. O governo acabou e não há mais uma luz no fim do túnel e precisamos rever isso." 

 

Dalírio Beber (PSDB) "O PSDB faz oposição do governo, mas nem só por isso. O PSDB está desempenhando o papel de oposição, de cobrar ações do governo. As ruas têm manifestado a vontade do afastamento desse governo."

Paulo Bauer (PSDB): "Integro a bancada de oposição e, obviamente, estou analisando todos os fatos. Mas posso dizer que não temos qualquer compromisso em livrar a presidente Dilma de um impeachment. As pedaladas fiscais, a contabilidade criativa são crimes de responsabilidade"

 

Indecisos

Celso Maldaner (PMDB):  "Estou indefinido ainda. Se fosse para cassar o Eduardo (Cunha) hoje eu estaria definido, mas para ela não. Temos que ver o embasamento jurídico disso ainda"  

Espiridião Amin (PP): "Eu ainda não conheço o processo, não tenho uma opinião formada ainda" 

João Rodrigues (PSD): "Vou aguardar as leituras da comissão ainda e conversar com o partido sobre o processo do impeachment. Não tenho uma opinião formada ainda" 

Jorge Boeira (PP): "Iniciamos agora o estudo do processo. Precisamos analisar com clareza esse assunto, é um assunto difícil, estamos falando de tirar uma presidente do poder. Ainda preciso de mais subsídios"

 

 

Mauro Mariani (PMDB): " A bancada do PMDB de SC vai tomar um posicionamento fechado, com todos os seus 6 votos. Ainda não houve tempo de reunir todos, pois alguns já viajaram. Vamos discutir demoradamente todas as implicações que isso tem"  

Valdir Colatto (PMDB) "Estou esperando ainda para ver o que será dito na comissão especial. Caso, o parecer seja a favor da cassação, votarei a favor. 

Contra

Décio Lima (PT):  "Sou contra o golpe que estão armando. Isso é um golpe."

Pedro Uczai (PT): " Minha posição não é partidária. Não há nenhuma denúncia que produza crime de responsabilidade. Se não há legalidade, não posso ser a favor. Impopularidade não é crime."

Angela Albino (PCdoB) - "O presidente da Câmara agiu por retaliação. Além disso, os argumentos do processo foram votados nessa casa ontem (quarta-feira, na votação do ajuste da Meta Fiscal) e o assunto foi encerrado. Então, não tem mais embasamento jurídico essa peça"

Não localizados: Dário Berger (PMDB), Edinho Bez (PMDB), Jorginho Mello (PR), Rogério Peninha Mendonça (PMDB), Ronaldo Benedet (PMDB)

Fonte: A Notícia


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